GÉNEROS DISCURSIVOS E/OU TEXTUAIS E ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA NO BRASIL

Coordenadores
Sérgio Roberto Costa (UNINCOR/TC/MG)

Tema do Simpósio
Um rápido esboço histórico do ensino fundamental e médio de Língua Portuguesa no Brasil, que ocorre a décadas, apresenta pelo menos cinco paradigmas gerais que têm sua hegemonia temporária, de acordo com certas concepções gramaticais, lingüísticas ou discursivas vigentes. Ao mesmo tempo, esses paradigmas podem sobrepor-se, convivendo aqui e acolá, ora mais fortes ora mais fracos, de acordo com as propostas de avaliação de ensino nacionais e internacionais que vigorem. Cada paradigma traz certas implicações didático-pedagógicas que orientam o material didático produzido e as práticas escolares de ensino-aprendizagem de alfabetização, leitura e escrita.
O primeiro paradigma, o da Gramática Tradicional, de concepção tecnicista e prescritivista, preconiza um sistema de regras que ditaria o “certo” e o “errado”. Haveria uma língua padrão em que seriam produzidos textos escritos (e falados) cujos modelos de recepção e produção seriam os “bons” textos literários produzidos em “bom” português. Valorizavam-se apenas os gêneros do discurso literário e os de circulação própria das salas de aula, os gêneros escolares (a Descrição, a Narração e a Dissertação), com ênfase na natureza lingüística dos segmentos textuais.
Mas com o advento da Linguística moderna, fundamentos teóricos e substratos científicos das ciências lingüísticas orientam as propostas didático-pedagógicas de ensino-aprendizagem de língua, leitura e escrita, com novos paradigmas. Assim nasce o segundo, o Paradigma Descritivista, herança da Lingüística Saussuriana e, posteriormente, Chomskyana. Tem-se agora a concepção de língua como um sistema de regras em funcionamento, que deve ser descrito. Em vez de uma gramática normativista, tem-se uma gramática descritivista com regras gerais e recursivas. Em vez de orações que devem ser analisadas logicamente, palavras e frases são descritas em termos de fonemas, morfemas, sintagmas e sentenças.
Uma nova corrente da Lingüística – a Sociolinguística – serve de base para o terceiro paradigma: o Variacionista. A língua, oral ou escrita, agora é descrita em termos de dialetos e registros. Mas os dialetos e registros-padrão orais e escritos, por causa de preconceitos sociais, ideológicos e políticos, são ainda o modelo de língua a ser ensinada, apesar do reconhecimento de outras variedades menos valorizadas trazidas para as escolas públicas pelos falantes das classes populares nas décadas de 60 e 70, quando da democratização do ensino que deu a essa população acesso à escola e à educação formal. Contudo “os estudos e as pesquisas sobre dialetos, variantes e registros, segundo Soares (in Costa, 2008:8), vieram esclarecer o real papel e a real função do ensino da norma culta, reformular o conceito de ‘erro’, relativizar os critérios de aceitação de modalidades de expressão oral e escrita”.
Na década de 70, a Lingüística Textual serve de modelo ao quarto Paradigma, o Pragmático-Textual, cuja categoria de análise e ensino passa a ser o texto e seus tipos (descritivos, narrativos, argumentativos, expositivos, injuntivos), com várias discussões sobre contexto, co-texto, coesão, coerência etc. Mas ainda predominam propostas de ensino muito mais ligadas aos tipos textuais que aos gêneros de texto.
A partir da década de 90 do século passado, um novo paradigma, o Sócio-Interacionista, no quadro da teoria do discurso, traz uma nova concepção de ensino de língua acrescida aos tipos textuais: o reconhecimento da existência de gêneros discursivos e/ou textuais sociais de outras esferas e domínios discursivos extra-escolares, que deveriam passar a ser objetos de ensino-aprendizagem e não apenas os tradicionais gêneros literários e escolares. No quadro da teoria do discurso, o que constitui realmente o texto vai além da sua natureza lingüística: o texto é um enunciado concreto, instituído e constituído por seus aspectos sócio-históricos e interativos que determinam seu funcionamento e é resultado de sua situação de produção e recepção, sua enunciação discursiva.

A partir da concepção dos paradigmas teóricos de ensino-aprendizagem de língua que resumimos, propomos um simpósio com o título acima, em que professores, pesquisadores e estudantes de graduação e pós-graduação possam apresentar trabalhos/ experiências diversos de ensino de língua portuguesa que provoquem discussões sobre tais paradigmas, principalmente o “Sócio-Interacionista”, que leva em conta uma “mudança de paradigma” que inclui, entre outros componentes teóricos, o conceito de gênero que vem alterando, no Brasil e em muitos países do mundo ocidental, o ensino de língua materna. Contudo é um conceito ainda mal assimilado por professores e formadores de currículos e programas para o ensino de língua

  1. ESPECIFICIDADES DO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA EM ESCOLAS TÉCNICAS BRASILEIRAS: RELATO DE UM CASO BAIANO
    Maria José Angeli de Paula

  2. O INCENTIVO DOS GÉNEROS EMERGENTE PARA A LEITURA E ESCRITA NO ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA
    Kelly Christine Lisboa Diniz

  3. POR UM MÉTODO DE ANÁLISE DISCURSIVA DA CANÇÃO POPULAR
    Álvaro Antônio Caretta

  4. LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTO ACADÊMICO: O BLOG COMO FERRAMENTA TECNOLÓGICA E SUPORTE TEXTUAL
    Márcia de Souza Luz-Freitas

  5. DO ENSAIO DE MONTAIGNE AO ENSAIO JORNALÍSTICO: UMA ANÁLISE MULTIDIMENSIONAL DE UM GÉNERO MULTIFUNCIONAL
    Maria Assunção Silva Medeiros

  6.  "AO VENCEDOR AS BATATAS": INCURSÕES MACHADIANAS NO GÉNERO DA PARÁBOLA
    Jaison Luís Crestani

  7. ASPECTOS ORGANIZACIONAIS EM GÉNEROS TEXTUAIS
    Rosalice Pinto

  8. ENSINO DE TEXTOS ARGUMENTATIVOS NA EDUCAÇÃO BÁSICA: PERSPECTIVAS A PARTIR DA LINGUÍSTICA TEXTUAL
    Fátima Aparecida de Souza Maruci

  9. SUBJECTIVIDADE E NORMA NA CIRCULAÇÃO DO SUJEITO EM UM GÊNERO ORAL FORMAL: CARACTERIZAÇÃO E ENSINO DO GÊNERO COMUNICAÇÃO ORAL EM MEIO ACADÊMICO
    Glaís Sales Cordeiro
    Tania Regina Taschetto

  10. A NATUREZA CONVERSACIONAL DA PARÁBOLA: FORMULAÇÕES TEÓRICAS DE IVAN ALMEIDA
    Geovana Gentili Santos

  11. A RELAÇÃO FALA-ESCRITA NOS GÉNEROS TEXTUAIS DA POESIA POPULAR NORDESTINA
    Doralice Pereira de Santana
    Marígia Ana de Moura Aguiar

  12. A AVALIAÇÃO DE TEXTOS ESCRITOS: QUESTÕES DE FORMAÇÃO E PRÁTICA DOCENTE
    João Gomes da Silva Neto

  13. A SEGMENTAÇÃO NÃO-CONVENCIONAL DE PALAVRAS: EVIDËNCIAS DE REPRESENTAÇÕES DE RELAÇÕES ENTRE ENUNCIADOS FALADOS E ESCRITOS
    Luciani Tenani

  14. SEMPRE[I], ÀS VEZES 'E', ÀS VEZES 'I'
    Marília Costa Reis

  15. A PRESENÇA DO MODO DE TRANSMISSÃO ORAL DO SABER NA ESCRITA DE PRÉ-UNIVERSITÁRIOS
    Manoel Luiz Gonçalves Corrëa

  16. O ENSINO DA ESCRITA NAS FORMAS DO TRABALHO DOCENTE
    Sandoval Nonato Gomes-Santos

  17. LITERACIAS EM CONTEXTO ACADÊMICO: CONSTRUÇÕES E SENTIDOS
    Adriana Fisher

  18. A ESCRITA EM CONTEXTOS FORMATIVOS: REPRESENTAÇÕES DE EDUCADORES E EDUCADORAS DO CAMPO
    Nilsa Brito Ribeiro

  19. PROFESSOR DE LÍNGUA MATERNA E O LIVRO DIDÁTICO: IMAGENS E REPRESENTAÇÕES
    Silvane Aparecida de Freitas

  20. ENSINAR A ESCRITA: ANÁLISE TIPOLÓGICA DOS ERROS
    Ricardo Jorge da Silva Ferreira Antunes

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